Olhe ao seu redor. Esfregue os seus gravetos mentais e acenda um fogo. Acorde o macaquinho do sótom-mental. Eles estão lá, estão por toda a parte, e sustentam o seu mundo. É só ver. O que eles significam? Pra mim? Hum... bem... o que eles significam para você? Veja, simplesmente veja-os. Afinal, as maiores viagens também começaram com um único passo.

domingo, dezembro 31, 2006

Feliz ano novo



Que o próximo amanhecer traga coisas fantásticas e novas, que o sol seja visto como um astro novo recém-chegado de uma viagem muito longa a lugares mágicos e desconhecidos, trzendo a todos relances de uma felicidade sincera e simples que nos faça respirar como num oásis em meio ao nosso cotidiano triste e sem graça. Cada amanhecer depois da chegada desse novo sol será coroado por um sol totalmente novo e revidorado, como revigorados ficaremos nós com a sua presença.... E que em cada dia deste novo futuro nós nos tornemos mais um pouco mais nós mesmos e menos o que alguém gostaria que nós fossemos....

Feliz 2oo7 pra todos nós

Eu gostaria de poder fazer tudo de novo e desta vez fazer certo para agora não precisar consolar a mim mesma....

domingo, dezembro 24, 2006

Natal

Nossa, como você cresceu! Oi lindinha, há quanto tempo! Você está tão linda! Amei o seu vestido! Beijo, beijo. Silêncio... Todos comem, todos bebem. A mesma comida, os mesmos bolos, mesmo vinho. Lá vem o mesmo homem de vermelho! Um pierrô todo vermelho no calor dos trópicos, triste como qualquer palhaço nos nossos dias cada vez mais tristes e cada vez com menos riso. Quem é o humano por trás da barba, por baixo do gorro felpudo? Não me interessa. As crianças o adorariam ainda se soubessem? Acho que não. Você?... Também mais um pouco de um não seguro de si... Papéis rasgados por todos os lados... Espólios da guerra contra a fita adesiva que substitui os laços (um natal retrô, old-school, não seria bem mais interessante?) A luxúria da posse dos presentes, crianças correndo brincando brinquedos novos que serão esquecidos antes do ano novo. As mesmas conversas superficiais de sempre e de nunca, família apenas uma vez por ano. Quem são estas pessoas mesmo? Só no próximo natal agora. Ah, como a anestesia da vida burguesa é confortável... Você não acha?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

CPII pride forever...

"Uma das mágoas que eu tenho na vida é a de não ter sido, na minha infância ou juventude, aluno do Pedro II. Andei por colégios mais lúgubres do que a casa do Agra. Mas há, em mim, até hoje, a nostalgia de não ter estudado ou fingido que estudava lá. A rigor, não são os professores que me interessam no Pedro II. Nem os seus problemas de ensino. O que me deslumbra no aluno do Pedro II não é o estudante, mas o tipo humano. Ele deve ser um mau aluno (tomara que seja), mas que natureza cálida, que apetite vital, que ferocidade dionisíaca. Olhem para as nossas ruas. Em cada canto, há alguém conspirando contra a vida. Não o aluno do Pedro II. Há quem diga, e eu concordo, que ele é a única sanidade mental do Brasil. E, realmente, não há por lá os soturnos, os merencórios, os augustos dos anjos. Os outros brasileiros deveriam aprender a rir com os alunos do Pedro II." Nelson Rodrigues

Aiai... Bons tempos...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Vampiros 2

I've missed you all so much :) E agora a Rainha está de volta. Enjoy!


Ela não sabia de onde vinha aquele sentimento, mas não gostava daquilo de qualquer forma. Simplesmente não gostava dali. Seu problema era aquele lugar, sua decoração que era de um minimalismo estranho, carregado de tons de vermelho escuro e preto, sofás de couro e lustres de prata, eram aquelas pessoas e seu ar intelectual tão forçado. Pura falsidade despresível, pensava ela a cada detalhe inédito que percebia naquele salão fracamente iluminado involto pela fumaça de muitos cigarros acesos. Despresíveis. Tudo ali era despresível. Agora era meia noite, e após um breve ajuste nos equipamentos, uma banda começou a tocar. Era algo como ela não ouvia desde que voltara de London haviam vários anos, diziam ser uma fusão contemporânea de tecno, pop e rock, mas para ela sempre seria 'dream music'. Um som carregado de sintetizadores, talvez com um leve tempero vintage, mas para ela aquilo sempre soaria como o mais puro new age... Fazia-a pensar em campos, fogueiras, festivais com flautas e pessoas dançando alegres. Abriu os olhos mas estava novamente naquele salão suspeito, com aquelas mesmas pessoas só que agora pareciam ter chegado masi algumas dezenas delas, todas iguas aos seus olhos. Mas agora nada disso importava, ela só ela, a banda e a música. "Playgirl, why are you sleeping in tomorrow's world?" Não parem nunca de tocar, nunca silenciem os amplificadores. Gostava dessa sensação, fazia-a se sentir livre mais uma vez, relembrou como era voar sobre as florestas e as cidades, voar livre como a fênix que era como ela. Levantou-se, desceu do mezanino e misturou-se às pessoas que daçavam na área logo abaixo do pequeno palco com a banda. Não parem, não parem, nunca, nunca mais... Talvez só quando o sol nascer mais uma vez, o tão odioso astro que sempre estragava sua diversão. Mas isso também nao importava agora, ela só queria dançar e se misturar às tantas pessoas que dançavam. Casais, grupos, pessoas sozinhas, todos embriagados por aquele som magnífico. Tomaria a banda por um grupo de sacerdotes em meio a um rotual não fossem os uniormes militares e todos aqueles acessórios metálicos. Um visual tão falso e forçado como o de todos ali, mas ela nem ligava mais. Dançou e dançou juntosjunto com todas aquelas pessoas até que o cheiro de suor sobressaiu ao odor sempre presente do cigarro. Isso lhe deu fome, e mais uma vez voltou a ser ela mesma. Agradeceu ais uma vez por estar em meio a uma pequena multidão sob toda aquela fumaça e penumbra, ou alguém teria visto e ela seria obrigada a utilizar métodos menos sofisticados de captura, ou sedução como ela preferia chamar. E mais uma vez via na escuridão, mais uma vez era forte, mais uma vez podia fazr o que quizesse com qualquer um ali, mais uma vez erra irresistível. Não que ela em algum momento fosse feia ou que passade despercebida como simplesmente mais uma na multidão, mas quando se revelava tornava-se mais do que notável, virava uma Vênus dentre pobres mortais. Mesmo que sua natureza se parecesse mais com a Peséfone negra do sub-mundo... Ela revelou-se, e continuou a dançar como se nada estivesse acontecendo. Logo seu olhas hipnítico encontrou-se com o de um jovem que dançava sozinho como se aquela fisse sua última noite emtre os vivos, seus olhos pareciam perdidos e desesperançosos, imploravam pela misericórdia que apenas ela poderia lhe dar. Mas ele não sabia que encontrara o que procurava até ser tarde de mais. Ela lentamente aproximou-se dele, ele só percebeu-a quando ela já dançava sensualmente em torno dele, e ele se deixou envolver. Logo se beixavam enlouquecidamente na sala escura especialmente reservada para os casais mais empolgados que por ventura se formassem naquela noite. Um espaço simplesmente perfeito para ela, bendizia esta idéia a cada vez que se dirigia acompanhada a um destes santuários aos gênios da luxúria e de todos os prazeres da noire, só não podia negar que os vãos sob as escadas e as sombras atrás de muros e pilastras também tinham muitos encantos. E foi para uma destas sombras tão convidativas que ela se dirigiu com mais uma vítima que lhe dirigiu um olhar inconsolável e perdido quando ela voltou para a pisa de dança após teminar seu primeiro lanche da noite. No fim da festa as pessoas apenas pensariam ver mais uma vítima do álcool e dos muitos outros prazeres em oferta naquela noite, seriam enganadas pela expressão cansada e serena que esconderia a quase total falta de sangue no corpo. Eles conseguiriam ir para casa após algumas horas, e dias depois quando estivessem completamente reestabelecidos apenas se lembrariam de uma noitada e uma dança com uma loura sem rosto. Com o passar dos anos ela havia aprimorado suas técnicas de caça a ponto de determinar até mesmo os efeitos sofridos pelas vítimas e as lembranças que teriam da noite do ataque. Sim, eles viveriam, era a melhor forma de encobrir suas práticas e não levantar quaisquer suspeitas sobre ela. Para todos ela seria apenas mais uma de tantas outras belas mulheres que haviam naquela área da cidade, apenas mais uma... Após aqueles dois encontros ela saciou-se por enquanto e voltou sua atenção à banda, eles haviam atendido seus pedidos silenciosos e não pararam de tocar por nem um minuto sequer, agora pareciam tão embragados pelo som quanto todas as otras pessoas ali presentes. Era um de seus dons favoritos, sugerir secretamente ao subconsciente alheio suas vontades, e ninguém era capaz de resistir. E assim ela continou dançando como se nada fosse, entregou-se de braços abertos aquele êxtase musical, agora era só ela, os sintetizadores e as lembranças que aquela música resgatavam... Viu-se mais uma vez dançando com tantas outras mulheres ao redor de uma fogueira... Mas isso fora há muito tempo e agora ela ainda sentia fome, atacaria mais uma vez, e outras ainda mais, antes que aquela noite terminasse. Antes que a mísica parasse.

[o trechinho é de 'Playgirl' do Ladytron]

Peace ^^v

Volte sempre e use filtro solar.