Olhe ao seu redor. Esfregue os seus gravetos mentais e acenda um fogo. Acorde o macaquinho do sótom-mental. Eles estão lá, estão por toda a parte, e sustentam o seu mundo. É só ver. O que eles significam? Pra mim? Hum... bem... o que eles significam para você? Veja, simplesmente veja-os. Afinal, as maiores viagens também começaram com um único passo.

domingo, agosto 21, 2005

Falível

Às vezes não dá pra evitar. Sei lá, eu queria conseguir, mas não é isso que acontece.
Eu queria ter o dom das palavras mágicas que são perfeitas a toda hora, mas só escrevo sobre angústias e conflitos internos. Estou precisando encontrar as palavras certas que vão expressar o que eu sinto.... Não sei o que dizer, e não sei se o que eu quero dizer deve ser dito... Pelo menos não agora.

Quando chegar a hora eu me rendo a mais um impulso e falo tudo. Perdi o medo de ser feliz.

terça-feira, agosto 16, 2005

Ainda em tempo...

Espero que fique bem claro que quando eu escrevi o post anterior eu estava com febre, e portanto estava delirando. Eu não fumo nem cigarro, quanto mais outras ervas ilícitas ou o que quer que cause o mesmo efeito. Também não sou cliente do delivery de cogumelhos mágicos dos homenzinhos verdes nem freqüento a feira do pó (cenas dos próximos capítulos!). Era só um delírio febril, mesmo. Mas era tudo verdade.

Só lamento que as pessoas precisem estar num estado delirante parecido para perceber algum nexo no que eu escrevi...

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domingo, agosto 14, 2005

Réquiem e renascimento

Aquele post foi só o 1º round, eu estava aquecendo os motores. Depois foi a vez da vida me acertar um duplo pelas costas que quase foi mortal. Quando eu me dei conta estava na lona e estava tudo ficando escuro. A luta terminou. 2×1. A vida me venceu, fui esmagada pela minha própria humanidade, pela vulnerabilidade do aglomerado celular que sou. Não tinha fundamento algum eu querer descontar na humanidade todo o meu ódio, toda a raiva e revolta causados por um sofrimento que se arrastava atrás de mim, me perseguindo como se acorrentado aos meus tornozelos. Havia uma certa revolta nas entrelinhas daquele texto, mas era só por causa das pessoas artificiais, vazias e superficiais que compartilham comigo o papel social de aluno da Cultura Inglesa. Fiquei revoltada por estar junto com eles, correr o risco de ser rotulada como eles, temi ser como eles inconscientemente. E para mascarar meus temores me vesti de revolta. Durante a meia hora que durou minha investida contra a vida eu fui punk, eu fui rock'n'roll, fui revolucionária. Mas minha própria vulnerabilidade ruiu meus alicerces e fui vencida. E desde então eu me arrasto entre os vencidos e os sofredores que são meus pares, entre a peste, a morte e a podridão. Hoje tentei me reerguer assumindo meus erros, estampando no meu rosto com o sangue que jorrava das feridas e depois gritar com todo o ar que me restasse nos pulmões: "Sim, eu sou frágil, não sou uma muralha de pedra forte como os alicerces da terra. Sou vulnerável e fui vencida. E é em meio a minha derrota que encontrei o sofrimento que me rodeia. Reconheço que perdi e peço auxílio."

Minha guerra começou um ano atrás, coincidindo com mais uma paixão. Era uma guerra suicida, não havia qualquer esperança de que o céu se abrisse e eu contemplasse o sol do sucesso. Mas não dei ouvidos aos alertas da minha alma e mergulhei de cabeça, de peito aberto, com a coragem das águias jovens que não conhecem o mundo: "Sou forte e supero as intempéries. Que venha o terror e o sofrimento, pois eu os derrotarei". Estava apenas iludida pela minha própria esperança. Eu era uma água jovem, sim, mas que aprendera rápido com todas as batalhas e me tornara sábia como o carvalho. Mas a centelha da esperança nunca se apagara, e plantara em minha alma o anseio de correr livre e feliz como o gamo na floresta virgem. E lá fui eu, coroada de sonhos e levada pelo vento, no difícil trajeto até a vitória que me aguardaria no topo de um castelo de cartas marcadas. E a tão almejada vitória definitiva não veio. Mas nunca me dei por vencida. Caí e me levantei seguidas vezes, até que vislumbrei a vitória em um caminho diferente, o qual trilhei sem perceber que, na manutenção da vitória, a um novo abismo certamente eu me dirigiria. E neste abismo eu caí, e após me recuperar voltei à velha batalha na qual encontrei a verdadeira perdição. Mais uma vez bloqueei meus olhos e ouvidos aos freqüentes avisos e mais uma vez me entreguei de peito aberto. Mas a luz da vitória minguava incessantemente até que finalmente se apagou. Foi extinta pelo anjo que esteve às minhas costas durante toda a busca. Mas meu corpo ferido não aceitou a realidade, não podia acreditar que tudo havia terminado de forma tão leviana, não podia ser tão simples assim.
E nessa descrença me apresentei ao inimigo para o combate final. E neste combate eu sucumbi.

Hoje eu me levantei. Auxiliada pelos que podiam, por aqueles que se esforçavam para reacender a luz ante meus olhos e por aqueles que o faziam por seu bom coração sem perceber o auxílio que prestavam, finalmente acreditei que havia terminado. Sim, acabou. De forma quieta, no silêncio de uma tarde nebulosa, num ambiente de paz e sabedoria onde já haviam sido travadas tantas batalhas e tantas outras aconteceriam, a última brasa do fogo bruxuleante se apagou. E o vento levou embora suas cinzas.
E a guerreira bárbara se foi. Vencida pela luta e com o corpo destruído por minha própria vulnerabilidade, não mais estive entre os vivos. No campo cinzento onde jazem todos os derrotados, e agora úmido por minhas próprias lágrimas vertidas ante toda a dor, uma transformação ocorreu. De lá não mais saí a torre forte que cria cegamente nas ilusões da própria esperança, mas sim a deusa renascida, a fênix, não mais crendo em sonhos, mas ditando minhas próprias regras, sabendo-me bela e poderosa. E assim, como uma aparição, mais terrena do que a ruína que me cercava, ergui a fronte em direção ao meu novo horizonte, uma nova chama fulgurando à frente. De cabeça erguida, o peito aberto agora apresentando apenas fina cicatriz. Lutarei apenas guerras certas, pois finalmente conheço as armas que tenho, e mesmo sem saber para onde o vento me levará e quais inimigos me aguardarão, sei que não me deixarei enganar ou abater. Mas se a vida, igualmente fortalecida após o último embate, também apresentar perigos inesperados que consigam vencer-me, não temerei jamais. Pois a fênix, mesmo que caia, sempre ressurge das próprias cinzas.


Get ready for action.

quarta-feira, agosto 10, 2005

É a vida... Vidinha, vidinha, vidinha...

E chega de blá-blá-blá. Cansei dessa vida.

Tô revoltadinha, neurótica, boladinha e boladona, surtada, pirada e fora de mim. Eu quero mais é que tudo de exploda. Eu quero mais é que tudo se foda. Tô cansada de amar as pessoas erradas, tô cansada de sofrer, tô cansada dos meus programas e baladas, da internet, dessas pessoinhas vulgares que ficam fazendo pose, que ficam tirando onda. Tudo que eu quero é sair por aí sem rumo, sem me importar como que as pessoas veem, como que as pessoas pensam, com o que as pessoas sentem, acham, imaginam, sem me importar com o que as pessoas são. Mandar um foda-se para os professores, para o porteiro, para o papa e o presidente. Mandar um foda-se para deus. Tô precisando sair, gritar e me libertar. Abrir as asas. "I wanna runaway/ never say goodbye/ I wanna know the truth insted of a wondering why".... Mas será mesmo que eu consigo? Duvido muito.
Tô a fim de acabar com essa vidinha quadrada e fechada que eu não tenho a chave para abrir, não tenho a senha do cofre. Quem se importa se as pessoas lerem isso aqui!? Quem se importa como que elas vão pensar se a carapuça servir? Eu é que não. Se ninguém ler, tudo bem também. Eu só quero deixar isso escrito. Minha vaidade me bloqueia. Meu orgulho me bloqueia. Como diz a Sorciére, eu sou humana de mais. Mas que meeeeeerda! Algumas vezes eu não queria ser humana, queria ser um passarinho, uma rã verde no mangue, uma pedra no caminho ou uma molécula suspensa no ar. Queria ser invisível para as pessoas passarem por mim e, não importa o que eu esteja fazendo, ninguém vai ver e ninguém vai se importar. Eu queria estar no Clube da Luta, apanhar e bater enlouquecidamente só para extravasar. "I wanted to breathe smoke" e essa é a boa. Quem vai se importar afinal? As pessoas dizem que se importam, mas todas elas são humanas de mais, limitadas de mais dentro do seu aglomerado de células e metabolismo. Eu tenho nojo das pessoas, mas eu sou só uma pessoa. Vou mandar um foda-se pra mim também. Mas eu sou só humana de mais e não consigo fazer nada disso. E eu não estou fazendo nenhum sentido. E sei que assim que eu sair da sala de informática do cursinho de inglês, chegar em casa e tomar um banho quente, isso tudo vai passar. Ou assim que a lua nova passar isso tudo acaba. No fim dá no mesmo da qualquer jeito.
Volte sempre e use filtro solar.